FeSBE Regional em Natal

A XI Reunião regional da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE) acontecerá, neste ano, na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, entre os dias 12 e 14 de maio.

Até o dia 19 de fevereiro, estará aberto o sistema para o envio de resumos.

A FeSBE Regional pretende contribuir para o fortalecimento da pesquisa científica na região Nordeste, visando o maior engajamento dos alunos na ciência.

Entre os temas que serão debatidos durante o evento nos simpósios e módulos temáticos, a neurociências e visão,
ética e legislação sobre experimentação animal, luz e regulação do ciclo sono-vigília, química e farmacologia de plantas da flora nordestina: um universo de novos compostos com potencial terapêutico, toxinas animais e produtos naturais: potenciais farmacológicos, neurofisiologia dos sonhos e do sono, anatomia e desenvolvimento dos circuitos tálamo-corticais, cronobiologia e educação: olhando o tempo escolar, bioinformática e simulação computacional de interações moleculares, células tronco e iPS: realidade e perspectivas, organização do sistema nervosa, farmacologia das emoções: Ansiedade e depressão, câncer: biologia, toxicidade da quimioterapia e prospecção de novas drogas, origem perinatal de doenças cardio-metabólicas, metabolismo de carboidratos e obesidade, produtos naturais, repercussões do exercício físico na insuficiência cardiac, estresse oxidativo e alterações funcionais,Zebra fish: o peixe modelo,
Integração de dinâmicas neurais e do movimento.

A Reunião ocorrerá na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e partiparão do evento as seguintes sociedades científicas Brasileira de Fisiologia, de Bioquímica e Biologia Molecular, de Biologia Celular, de Biofísica, de Farmacologia e Terapeutica Experimental, de Investigação Clínica, de Neurociências e Comportamento, Brazilian Research Association in Vision e as Associadas de Ciência em Animais de Laboratório, de Endocrinologia e Metabologia, de Biociências Nucleares, SBBN e a Sociedade Brasileira de Toxinologia.
Mais informações sobre o evento e como proceder para envio de resumos, o link para o portal é: http://sistema.interevent.com.br/__hotsite/index.php?cod_eventos=84&cod_conteudos=882.

 


XXX Reunião anual da FeSBE – 2015

Pautas sugeridas
1) Terapia gênica em doenças oftalmológicas
Eduardo Melani Rocha

Eduardo Melani Rocha, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, falará durante a XXX Reunião anual da FeSBE sobre transferência gênica por vetor viral em casos oftalmológicos. O grupo de Melani identificou vetores virais com maior compatibilidade e segurança na terapia gênica usando a glandula lacrimal como depositário para doenças da superfície ocular -afetadas na maioria das doenças oftalmológicas. Utilizando modelo animal, os pesquisadores aplicaram adenovirus e lentivírus como vetores virais, pois se mostraram eficazes, resultando em genes transcritos e doenças atenuadas nos modelos animais. O grupo estuda o olho seco e glandula lacrimal há 20 anos e, nós últimos seis anos, a terapia gênica.

2) Viagra contra aborto
Murilo Tenório e Rayanna Luna

Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco têm uma pista para um tratamento profilático viável, seguro e eficaz contra abortos recorrentes: o uso do Viagra (Sildenafil) associado ao Dalteparina (heparina de baixo peso molecular).

O pesquisador Murilo Tenório, do Laboratório de Ultraestrutura da UFPe , explica que o uso combinado do Sildenafil com heparina de baixo peso molecular parece estabilizar o alto nível de inflamação durante o evento abortivo assim como a trombofilia, que também ocorre durante a perda gestacional e atinge cerca de 23-30% das mulheres em idade fértil.

Iniciadas em 2010, as pesquisas nessa linha utilizam roedores albino swiss – um modelo animal de perda gestacional aguda: que receberam injeção de Lipopolissacarídeos (LPS) no meio do período gestacional e que provoca, em média, 98% de morte fetal. O modelo de LPS em roedores já é bem estabelecido na literatura, explica Tenório. E, no futuro, o grupo pretende realizar pesquisas clínicas para comprovar esses achados em modelo animal.

Existem poucos relatos de caso na literatura do uso do Sildenafil para tratamento de infertilidade, incluindo aborto recorrentes. De acordo com revisão de literatura feita por este grupo, não existem dados na literatura quanto ao tratamento conjunto com Sildenafil e Dalteparina para prevenir os casos de aborto. O esforço se dá para tentar descrever o efeito benéfico do tratamento exclusivo com Sildenafil ou em combinação com heparina de baixo peso molecular.

O laboratório de Ultraestrutura da UFPe, coordenado pela Dra. Christina Peixoto, pesquisa ainda as possíveis vias de sinalização intracelular envolvidas nesse processo. O grupo de Pernambuco trabalha em parceria com as Dras Anne Croy e Maha Othman, da Queens University do Canadá,e já tem um artigo científico aceito para publicação no Journal of Placenta (Qualis A2), e outro trabalho encontra-se submetido ao International Journal of Experimental Pathology (B1) desde Jan/2015.

Capes Facepe, CNPq apoiam o projeto.

3) Qual o panorama dos acidentes radiológicos no Brasil e nos EUA?
Silvia Maria Velasques

Silvia Maria Velasques, presidente da Sociedade Brasileira de Biociências Nucleares, coordenará uma mesa-redonda durante a XXX Reunião anual da FeSBE sobre acidentes radiológicos. Segundo Sílvia, serão apresentados dados internacionais pelo convidado dos Estados Unidos, Dunstana Melo, do Lovelace Institute, que abordará quais são os protocolos adotados e aceitos em termos de exposição radiológica na atualidade em comparação com os índices praticados no passado.

Sobre o panorama brasileiro, os participantes falarão sobre a emergência radiológica em exposições acidental ou incidental de radiações ionizantes e quais as intervenções necessárias. Nelson Lima Valverde, da Fundação Eletronuclear de Assistência Médica e da Agência Internacional de Energia Atômica, trará mais informações sobre a casuísta dos acidentes mais recentes e discutirá atos maliciosos, criminosos ou terroristas, com o emprego de material radioativo. Prof. Francisco Cesar da Silva, do Instituto de Radioproteção e Dosimetria, apresentará os métodos mais modernos para reconstrução das doses de radiação e correlação com os aspectos clínicos, auxiliando o tratamento de radioacidentados.

Os participantes ainda apresentarão os dados dos acidentes ocorridos no Brasil com gamagrafia industrial, que é a radiografia obtida através de raios gama para detectar defeitos ou rachaduras em peças. No Brasil, desde 1985, ocorreram cinco casos graves em gamagrafia industrial, afetando sete trabalhadores e 19 indivíduos que tiveram síndrome cutânea da radiação (SCR) em mãos e dedos.

4) Instituto Tecnológico da Vale
Como a academia e indústria podem atuar em conjunto?
Luiz Eugenio Mello

Um dos convidados da FeSBE 2015 é seu ex-presidente, Luiz Eugenio Mello. Atual diretor do Instituto Tecnológico Vale, Luiz Eugenio apresentará alguns dos projetos do ITV e falará sobre empreendorismo que visa incentivar a formação da cultura do pesquisador-empreendedor, que possa liderar empresas de bases tecnológicas no país – iniciativa muito comum no exterior, mas pouco difundida no Brasil.

Criado em 2009, o ITV possui diversos projetos. Entre os quais, o projeto Paleoclima. Um estudo interdisciplinar para avaliar o desenvolvimento e evolução da paisagem da Amazônia durante os últimos 2,5 milhões de anos a partir de sedimentos acumulados no fundo das lagoas da Serra dos Carajás. Estas lagoas também podem contar a história evolutiva do minério de ferro de Carajás. Estes trabalhos começaram pelas lagoas do Violão e Amendoim, na Serra Sul, mas irão estender-se para outras lagoas de Carajás. Além disso, inventários florísticos baseados nos grãos de pólen depositados nos sedimentos estão auxiliando na identificação dos tipos de vegetação que ocorreram na região ao longo do tempo. Por exemplo, pólen de plantas como Podocarpus, Myrsine, Weinmannia e Ilex, típica de regiões montanhosas e frias como os Andes, foram, no passado, bastante comuns na região. A pesquisa iniciou-se em 2012 e deve durar até 2018. Ao todo, foram identificadas 48 lagoas de canga na Serra dos Carajás.

Outro projeto do ITV é Swing Mines. Iniciado em março de 2015, o programa de P&D tem como objetivo definir um plano de implementação e operação de uma infraestrutura de comunicação sem fio de banda larga altamente confiável para as futuras minas da Vale. Atualmente, as redes sem fio dentro das minas da empresa são ajustadas manualmente e de forma reativa, o que impacta os custos de implantação e manutenção. O Swing Mines – a sigla vem do inglês Self-organizing Wireless Infrastructure for Next Generation Mines – investiga, entre outras frentes, a empregabilidade de Drones no planejamento e otimização de redes sem fio. Com este projeto, espera-se realizar um levantamento tridimensional da mina, incluindo aspectos morfológicos, que interferem na transmissão final dos sinais, e mensurar indicadores de desempenho das redes sem fio.

5) Influência do hipotireoidismo no espectro autista
Juciara da Costa Silva

O efeito do hipotireoidismo materno na primeira e na segunda geração de camundongos e sua possível associação com o espectro autista, incluindo aspectos de locomoção e ansiedade, termorregulação, comportamento neofóbicos e compulsivos, agressividade em machos e e comportamento materno será uma das apresentações durante a FeSBE 2015. Este trabalho reúne pesquisadores das universidades Nove de Julho, Mackenzie, Federal de São Paulo.

Os resultados do grupo sugerem que a administração de metimazol (usado como inibidor da síntese do hormônio tireodiano) em fêmeas com a indução de um hipotireoidismo leve ou subclínico, antes do período gestacional, pode causar repercussões na vida adulta dos descendentes machos, cujos efeitos são predominantes na prole imediata, mas alguns desarranjos podem perdurar em outras gerações.

Este estudo abre uma perspectiva para o melhor entendimento de desarranjos do neurodesenvolvimento com impacto na vida adulta. Segundo Juciara da Silva, as alterações neurobiológicas detectadas precocemente poderão oferecer um alicerce para o desenvolvimento de tratamento e cuidados de suporte precoces, visando a maior qualidade de vida aos indivíduos acometidos com déficits sociais.

6) Genômica e proteômica contra a lesão necrótica da picada de arannha-marron
Priscila Hess Lopes (Instituto Butantan)

Todos os anos, cerca de seis mil pessoas são picadas pela aranha-marron. O veneno desse tipo de aranha provoca uma lesão necrótica que o soro não consegue resolver totalmente. Este grupo do Butantan procura entender o mecanismo de ação da toxina central desse veneno sobre a membrana de células da pele humana. O grande benefício disto é que, ao compreender melhor o mecanismo de ação do veneno no desenvolvimento da lesão necrótica, será possível avançar na busca de terapias complementares e mais eficazes, explica Priscila Hess Lopes, do Instituto Butantan.

7) Exercícios físicos aeróbios e desempenho de células-tronco em casos de infarto do miocárdio
Andrey Serra

Pesquisadores da Unifesp e da Faculdade de Medicina da USP procuram responder se o exercício físico aplicado antes do infarto do miocárdio pode potencializar a eficácia terapêutica de células-tronco (CT). O pesquisador Andrey Serra participará da FeSBE onde abordará desde as dificuldades com a terapia de CT para tratar o infarto do miocárdio até os resultados do seu grupo. Segundo ele, infelizmente, após o transplante, muitas CT são perdidas e a eficácia terapêutica diminuída. A hipótese central deste estudo é que o exercício pode criar um ambiente corporal favorável para o transplante celular.

Para confirmar esta hipótese, o grupo utilizou ratas fêmeas, que foram treinados em piscina (5 x semana; 90 min/dia) durante nove semanas. Após este período, os ratos foram infartados e, após 48 h, as CT foram injetadas diretamente no coração. Os pesquisadores utilizaram duas técnicas para quantificar as CT depois do transplante: (1) injetaram CT marcadas com radioisótopo, em que as células foram identificadas nos animais com ressonância magnética (SPECT-CT); (2) análise da expressão gênica do cromossomo Y no miocárdio. Este procedimento foi possível porque foi injetado CT de ratos machos em fêmeas. Esses experimentos visavam explorar os possíveis mecanismos pelos quais o exercício pode resultar em aumento na quantidade de CT transplantas.

Animais exercitados apresentaram maior quantidade de CT no coração com 1 hora e 7 dias após o transplante em comparação as ratas sedentárias. Este benefício foi acompanhado de atenuação do perfil pró-inflamatório.

Há sete anos dedicados a esta linha de investigação, os procedimentos visam melhorar a eficiência da terapia com CT. A perspectiva é que o exercício físico possa ser utilizado como ferramenta para potencializar a eficiência das CT no tratamento da cardiopatia isquêmica, numa abordagem ainda inédita. No futuro, o grupo pretende analisar os mecanismos moleculares inerentes ao exercício e que podem resultar em maior quantidade de CT no organismo. Outra perspectiva consiste em padronizar um protocolo de treinamento que gere benefícios.

8) A eficácia do uso de bandagens por atleas do vôlei
Rafael Francisco de Oliveira Santos

Analisar se a bandagem elástica funcional é capaz de ativar dos músculos tibial anterior, fibular longo e curto do lado dominante de atletas do vôlei, procurando minimizar o índice de lesões do tornozelo é o projeto do fisioterapeuta Rafael Francisco de Oliveira Santos, da Universidade do Sagrado Coração, e que também será apresentado durante a reunião anual da FeSBE. Segundo, Rafael, o principal achado deste estudo é que as bandagens elásticas funcionais auxiliam na ativação muscular, porém devem ser avaliados individualmente.

O pesquisador utilizou o eletromiógrafo de superficie para avaliar o potencial de ativação muscular, incluindo todas as fibras musculares inervadas. O aparelho, explica, capta as atividades musculares e envia os dados direto para um programa no computador. Segundo ele, existem na literatura especializada estudos de análise da eletromiografia de superfície, porém não com a bandagem elástica funcional.

Como dica, Rafael Francisco sugere que cada atleta seja avliado de forma individualizada, pois cada um possui uma condição de fibra muscular e seus gestos esportivos contribuem na alteração da atividade motora e sensitiva das musculaturas avaliadas.

Agora, com esses resultados, ele espera poder ajudar a melhorar a performace dos atletas, pois verificaram que cada atleta tem um tipo diferenciado de deficit de ativação muscular.

9)Teria o suco de uva tinto impacto na saúde do idoso?
Gabrieli Bortolato e Dra. Caroline Dani

Gabrieli Bortolato, graduanda em Caxias do Sul, estuda o efeito do suco de uva em idosos como fator de proteção aos parâmetros bioquímicos, como LDL, colesterol total, glicose e triglicerídeos. Os benefícios dos polifenóis são conhecidos como antioxidantes, mas sua utilização isolada ainda é pouco segura, por isso recomenda-se o consumo por meio de alimentos. Neste projeto, o suco de uva se apresenta como um bom exemplo.

Participaram desta pesquisa 40 idosos, com mais de 60 anos e de ambos os sexos. Os voluntários foram convidados a ingerir diariamente 400 mL de suco de uva, por um período de 30 dias. Todos os participantes consumiram o mesmo suco de uva de uma empresa de Bento Gonçalves – RS-Brasil. Este consumo foi livre, sendo orientado a fracioná-lo em dois momentos ao longo do dia. Posteriormente, foram coletadas amostras de sangue antes do início do consumo e após os 30 dias da ingestão . O sangue, então, foi centrifugado e o soro mantido em condições ideais até o momento da análise. Os parâmetros bioquímicos foram analisados por automaçã e os resultados demonstraram que o consumo de suco de uva promoveu benefícios, reduzindo os níveis de LDL e colesterol total, além disso não trouxe diferença significativa nos demais parâmetros, o que sugere que o suco de uva pode ser um aliado na dieta diária de idosos.O grupo estuda o suco de uva desde 2004.

10) Programação fetal – vida uterina e predisposição epigenética para doenças
Maria do Carmo Franco – Unifesp

Quais possíveis repercussões tardias ocorrem em crianças com baixo peso ao nascer ou restrição de crescimento fetal? O grupo de Maria do Carmo Franco, da Unifesp, identificou uma significativa disfunção endotelial tanto em crianças com histórico de baixo peso ao nascer como também em animais desnutridos in utero. A disfunção endotelial decorre de um conjunto de alterações, nos mecanismos que regulam a dilatação dos vasos, causadas pela alimentação não balanceada, sedentarismo, tabagismo, diabetes, hipertensão arterial e colesterol alterado.

No decorrer dos anos, esse grupo da Unifesp caracterizou mecanismos envolvidos nessa disfunção endotelial programada durante a vida fetal, relacionadas às alterações epigenéticas, que são modificações reversíveis do DNA.

11) Microbiota e câncer
Rafael Ribeiro Almeida (ICB – USP)

Qual o papel da microbiota na regulação da resposta imune contra o câncer, pela via das células T antitumorais? Esta é a pergunta que levou o grupo de Rafael Ribeiro Almeida, do Instituto de Ciências Biomédicas, da USP, a ter um projeto recentemente aprovado pelo CNPq. Segundo Almeida, já está bem estabelecido na literatura científica que a microbiota intestinal é fundamental para o desenvolvimento do sistema imune. Estudos recentes demonstraram que animais criados em ambiente estéril e, portanto, sem microbiota (Germ-free), são mais suscetíveis ao câncer. Essa suscetibilidade é, em parte, devida a deficiência em algumas células T antitumorais, que dependem da microbiota intestinal para se desenvolverem. Além disso, foi demonstrado que a eficácia do tratamento contra o câncer, seja por quimioterapia ou imunoterapia, é parcialmente dependente da microbiota intestinal. Animais germ-free ou tratados com antibióticos por longos períodos apresentam maior resistência aos tratamentos. Portanto, o grupo de Rafael acredita que o estudo dos mecanismos envolvidos na geração de respostas imunes antitumorais dependentes de microbiota seja essencial, sobretudo para a criação de novas estratégias terapêuticas anti-câncer.

12) Exercícios de alta intensidade X exaustão e humor
Rafael Pinheiro

Até que ponto os exercícios de alta intensidade e aqueles que levam à exaustão causam impacto no humor dos indivíduos? Os estudos do grupo de Rafael Pinheiro tem demonstrado que o estado de humor (em jovens) parece não ser influenciado por ação do hormônio cortisol, sendo a sensação de exaustão capaz de alterar o estado de humor, merecendo maior investigação.

Pinheiro explica que o exercício de exaustão, ou seja, aquele realizado até a sensação de exaustão é qualquer tipo de exercício em que uma pessoa o realize até atingir um ponto de fadiga extrema, onde se torna impossível a continuidade do mesmo. Essa sensação de fadiga e de exaustão, diz, são essenciais para o ser humano e servem como alerta para reduzir ou parar o exercício.

Após a realização do exercício de exaustão, segundo Pinheiro, houve piora imediata do estado de humor, o que não ocorre com os exercícios de alta intensidade ou de intensidade moderada.

De acordo com o pesquisador, não há na literatura trabalhos que exploram a alta intensidade de exercício físico como o protocolo adotado por seu grupo que reúne a Unifesp e a Unesp. Todos os trabalhos que envolvem a alta intensidade de exercício físico utilizaram modelos de exaustão. Neste sentido, a visão atual da literatura é que a alta intensidade leva a piora do estado de humor imediatamente a sua prática. Porém, este grupo demonstrou que, quando a alta intensidade não leva à sensação de exaustão, isso não ocorre, devendo ser mais explorado em sua relação com humor.

Rafael explica que na pesquisa só contaram com a participação masculine com 30 voluntários e excluíram as mulheres, pois estas possuem uma variação hormonal que, provavelmente, altera o estado de humor.

Estes resultados deste estudo estão sendo submetidos em uma revista internacional.

13) Homem virtual e a impressão 3D
Chao Lung Wen

Com objetivo de facilitar a transmissão de conhecimentos complexos em pouco minutos, o grupo de Chao Lung Wen, da Faculdade de Medicina da USP, dedica-se ao projeto homem virtual e a impressão em 3D. Baseados na literatura científicas, os pesquisadores procuram explicar detalhes da anatomia, fisiologia, fisiopatologia, embriologia e mecanismo moleculares, através de imagens de modelagem por computação gráfica em 3D.

O material desenvolvido se tornou um grande repositório com mais de 250 temas diferentes que abordam medicina, enfermagem, odontologia, fonoaudiologia, fisioterapia, entre outros. A ideia é que sirva de ferramentas para facilitar a comunicação entre professor e alunos do ensino superior, médio ou fundamental II, além de poder ainda ser utilizado para outros fins como espaços culturais de ciências sobre saúde. Outra aplicação visa promover a integração clínica-anatomia ou diagnóstico por imagem e anatomia. Nessa linha, o grupo modela estruturas a partir de tomografias e ressonâncias magnéticas no sentido de auxiliar o planejamento de cirurgia complexas ou o desenvolvimento de próteses sob medida.